Vídeo de casamento · Minho
Histórias reais, captadas com uma presença quase invisível.
Sou o Martinho. Passo o dia inteiro ao vosso lado e quase sempre fora do vosso caminho. No fim, ficam com o dia como ele foi — não com uma encenação dele.

Os três compromissos
Antes de vos falar de filmes, três coisas que assumo com todos os casais e que não mudam consoante o pacote.
Não apareço nas fotos do vosso fotógrafo. Trabalho há anos ao lado de fotógrafos e sei ler o espaço deles: se o vosso fotógrafo está a fazer o retrato, eu não estou atrás dele com uma luz na mão. Chego antes, percebo onde ele se vai colocar, e fico onde não lhe estrago o enquadramento. Vocês vão receber duas coberturas do mesmo dia sem nunca terem sentido que havia duas equipas.
Não paro o dia para filmar. Não vos peço para repetirem a entrada da igreja, nem para voltarem a abrir a carta que já leram, nem para caminharem outra vez até àquela árvore porque a luz estava melhor. O que aconteceu, aconteceu uma vez. O meu trabalho é estar no sítio certo antes de acontecer — e não pedir ao dia que se repita para minha conveniência.
O som é o do dia, não é playback. Gravo som a sério: os microfones estão postos muito antes de serem precisos e ficam a gravar quando eu já não estou por perto. A voz do celebrante, o que o vosso pai disse a meio do brinde e lhe falhou, a música que a vossa avó pediu à banda. Nada disto se recupera depois.

A linha do dia
Um casamento não é um bloco de doze ou mais horas. São quatro momentos com temperaturas diferentes, e eu filmo cada um de maneira diferente.
Preparativos
Chego cedo, quase sempre antes de estarem à espera. A primeira hora é a mais silenciosa que vão ter no dia todo, e é onde estão as coisas pequenas: o vestido ainda pendurado, alguém a passar a ferro uma manga, a mãe a tentar apertar um botão que não quer. Filmo com lente longa e do outro lado da sala. Muitas vezes só percebem que estive lá quando veem o filme.

Cerimónia
Aqui não há segunda oportunidade e não há como pedir licença. Coloco as câmaras onde não interrompem — nem o vosso olhar, nem o do celebrante, nem o do fotógrafo — e o som fica ligado do princípio ao fim. É o momento em que a discrição deixa de ser estilo e passa a ser obrigação.

Retrato
O tempo do retrato é do fotógrafo, não meu. Acompanho de longe, filmo o que acontece entre poses — o caminho até ao sítio, o riso a seguir a uma indicação, o vento no véu enquanto ele muda de lente. É quase sempre onde ficam os planos de que os casais mais gostam. Peço pouca coisa, e o que peço é simples — nunca vos peço para fingir uma emoção.

Festa
À noite ando com pouca coisa em cima. Uma câmara, uma luz pequena quando não há mesmo alternativa, e o som da sala a gravar. A festa filma-se de dentro, não do palco: quem dança não deve dar por mim, e a única maneira de isso acontecer é não levar meio estúdio para a pista.

O que recebem e quando
Setenta e duas horas depois do casamento, tenho o teaser convosco. Um minuto, montado com o melhor do que aconteceu. É um prazo firme: chega enquanto ainda estão a responder às mensagens de toda a gente e ainda vos treme alguma coisa por dentro. É o vídeo que vão querer partilhar, e chega a tempo de o partilhar.
Podem juntar os highlights, uns quatro minutos que contam o dia com mais folga do que o teaser — a linha toda, sem ser ainda o filme completo. É uma opção paga, à parte do pacote, e há casais que a dispensam e ficam bem servidos.
O filme final leva entre sessenta e noventa dias, e a duração vai dos quinze aos trinta minutos, consoante a escala do casamento — se é um evento muito grande ou uma coisa mais simples. Digo o prazo mais alto de propósito. Em agosto e setembro tenho casamentos quase todos os fins de semana, e cada vez mais durante a semana. Uma montagem honesta não se faz entre dois sábados; fora de época, chega mais cedo. Prefiro dizer-vos noventa e entregar aos setenta do que prometer trinta e andar a pedir desculpa em novembro. Se houver uma data que vos importa mesmo — um aniversário, uma viagem, alguém que quer ver antes de partir — digam-me na altura da reserva e eu digo-vos ali se consigo.
O filme documental
O filme curto é uma versão do dia: escolhida, montada, musicada. Vale o que vale, e é o que a maioria das pessoas quer ver.
O filme documental é outra coisa. Tem pouca edição de propósito: são excertos mais largos da cerimónia e da festa na quinta, com o áudio captado no momento, sem cortar para caber num tempo. A música que tocou na igreja é a que se ouve — não a que eu escolhi. O celebrante fala e ouve-se o que disse, com as pausas e a acústica da nave. A festa na quinta soa como soou, com a banda ou o DJ a afinar o som, com o barulho dos copos, com aquele momento em que toda a gente canta e ninguém acerta.
É um filme longo e não é para ver na semana a seguir. É para ver daqui a dez anos, quando já não se lembrarem do timbre da voz de alguém. É o único formato que preserva isso, e é por isso que insisto nele.
É um serviço à parte e paga-se à parte — não vem dentro do pacote. Digo-o com todas as letras porque não quero que o descubram no orçamento. A maior parte dos colegas nem sequer o oferece; eu ofereço porque acho que vale, mas a escolha é inteiramente vossa.

Trabalho com o vosso fotógrafo
Muitos dos meus casamentos chegam-me através de fotógrafos, e isso mudou a maneira como trabalho. Sei o que atrapalha um fotógrafo, porque já ouvi todos eles queixarem-se do mesmo: o vídeo que entra no enquadramento, a luz que estraga a exposição, o colega que rouba dois minutos ao retrato.
Se já têm fotógrafo escolhido, digam-me quem é. Falo com ele antes do dia, combino quem fica de que lado, e vocês não têm de gerir nada disso.
Filmes
Aqui ficam os trabalhos que posso mostrar.
São poucos, e é de propósito. A maioria dos filmes que faço nunca chega a este site: uns porque os casais me pediram que não, outros porque o fotógrafo que me contratou tem os seus próprios acordos com o cliente. Respeito os dois sem discutir. A discrição que vos prometo no dia do casamento não deixa de valer no dia em que eu precisava de material novo para o portefólio.
Se isto vos parece um site com pouco para ver, é exatamente o que devem concluir: o vosso casamento também não vai estar aqui.
O que posso mostrar, mostro. Vou pondo no meu canal o trabalho que tem autorização — se quiserem ver mais do que cabe nesta página, está lá.
Contacto
Digam-me a data e o sítio. Respondo a dizer se estou livre e quanto custa, sem vos pôr num funil de e-mails.
Ou escrevam direto para geral@arantesfilms.pt.
